Reposição hormonal

CID da osteoporose: o código certo para laudo, atestado e pedido de exame

CID da osteoporose: qual código usar no laudo, no atestado e no pedido de exame, a diferença entre M80 e M81, os subcódigos de M81 e o código de quem ainda investiga.

Capa ilustrativa de CID da osteoporose com laudo e etiqueta de código, tema CID da osteoporose.

Quem procura o CID da osteoporose quase sempre tem um campo em branco na frente: um laudo para fechar, um atestado para entregar, uma guia de convênio que voltou, um pedido de densitometria que precisa de justificativa. Então a resposta vem primeiro.

Na maioria das situações, o código é M81.9, osteoporose não especificada. Se houve fratura por fragilidade, o código muda de família e passa a ser M80. E se ainda não há diagnóstico, apenas a suspeita que motivou o exame, o código correto não é nenhum dos dois.

O resto deste texto explica por que essas três frases resolvem quase todos os casos, e o que fazer nos que sobram.

M80 e M81: a fratura é o que separa os dois

A CID-10 não organiza a osteoporose por gravidade nem por região do corpo. Ela organiza por um único critério: houve ou não houve fratura patológica.

Fratura patológica, aqui, quer dizer fratura que aconteceu num osso enfraquecido pela doença, por um trauma que não quebraria um osso saudável [fonte]. A queda da própria altura é o exemplo clássico. A vértebra que se achata sem queda nenhuma também entra.

M80 e M81: o que separa as duas categorias

SituaçãoCategoriaO que ela registra
Sem fraturaM81Perda óssea isolada
Com fratura por fragilidadeM80Doença mais fratura
Fratura por trauma altoCódigo da fraturaNão é M80

Classificação Internacional de Doenças, 10ª revisão, grupo M80 a M85.

Essa distinção não é burocracia. Ela muda o que o sistema entende sobre o paciente. M80 comunica que a doença já cobrou um preço clínico, e é isso que costuma justificar tratamento mais intensivo, prioridade em fila e autorização de medicação de custo mais alto. Trocar M80 por M81 num paciente que já fraturou apaga do registro exatamente o dado que mais importa.

M80 também tem subdivisões, e elas seguem a mesma lógica de causa: M80.0 para a forma pós-menopáusica com fratura, M80.4 para a induzida por medicamento, M80.5 para a idiopática e M80.9 para a não especificada, que é a mais usada. A regra é simples: escolhido o M80 pela presença da fratura, o dígito depois do ponto conta de onde veio a doença, não onde ficou a fratura.

O caminho inverso também tem consequência. Usar M80 em quem nunca fraturou infla o quadro no papel e cria uma incoerência que pode voltar como glosa quando o convênio cruzar o código com o histórico.

Os subcódigos de M81, um por um

M81 tem subdivisões, e a maioria delas quase nunca aparece na prática. Vale conhecer porque cada uma conta uma história diferente sobre a causa.

As subdivisões de M81 e quando cada uma se aplica

CódigoNomeQuando usar
M81.0Pós-menopáusicaApós a menopausa
M81.1Pós-ooforectomiaOvários retirados
M81.2De desusoImobilização longa
M81.4Induzida por drogasCorticoide prolongado
M81.5IdiopáticaSem causa definida
M81.9Não especificadaUso mais comum

A CID-10 também prevê M81.3 (por má absorção pós-cirúrgica), M81.6 (localizada) e M81.8 (outras osteoporoses).

As descrições oficiais de cada subdivisão estão na própria categoria M81 da classificação [fonte]. Na rotina, M81.0 e M81.9 cobrem quase tudo. M81.0 quando a perda óssea acompanha a queda de estrogênio da menopausa, que é o cenário mais frequente. M81.9 quando a causa não está estabelecida ou quando o documento não precisa desse detalhe.

M81.4 merece atenção especial porque muda a conduta. Corticoide em uso prolongado é uma das causas evitáveis mais comuns de perda óssea, e registrar isso no código deixa rastro para quem for reavaliar o caso depois.

O código de quem ainda está investigando

Esta é a parte que mais gera confusão, e é onde o erro custa caro.

Quando a densitometria ainda não foi feita, ou foi feita e veio normal, o paciente não tem osteoporose. Colocar M81 no pedido de exame para “facilitar a autorização” registra uma doença que não existe no prontuário daquela pessoa. Isso reaparece depois em declaração de saúde de plano, em perícia, em qualquer lugar que leia o histórico.

Para rastreamento sem diagnóstico, o campo pede um código de exame de investigação, não de doença. A CID-10 tem o capítulo XXI justamente para isso: Z13.8, rastreamento de outras doenças e transtornos especificados. Em quem já tem fator de risco identificado, alguns serviços usam Z78.9 ou o código da condição de base que motivou a investigação, como o próprio uso de corticoide.

A regra prática é curta: o código descreve o que já está estabelecido, não o que se está procurando.

Osteopenia não tem código próprio

Vale saber porque metade dos laudos de densitometria volta com osteopenia, não com osteoporose. A CID-10 não criou uma categoria separada para ela, e o código que se usa vem de outra família, a M85. Detalhamos qual é e por que essa ausência existe em CID da osteopenia: qual código usar e por quê.

O ponto de atenção é o mesmo do rastreio: osteopenia registrada como M81 vira osteoporose no sistema, e osteoporose no sistema é uma doença que a pessoa não tem.

Onde o código entra em cada documento

O mesmo diagnóstico aparece em papéis diferentes, e cada papel usa o código de um jeito. Confundir isso é o que gera a maior parte das devoluções.

O caminho do código, do exame ao atestado

  1. Pedido de densitometriaantes do diagnóstico

    Aqui ainda não existe osteoporose confirmada. O campo pede o código de rastreamento ou o da condição que motivou a investigação, como o uso prolongado de corticoide. É a etapa em que M81 aparece indevidamente com mais frequência.

  2. Laudo da densitometriaquem escreve é o radiologista

    O laudo descreve os valores medidos e a classificação. Muitos serviços já sugerem um código, mas ele reflete apenas o exame, sem a história de fratura que o médico assistente conhece.

  3. Consulta e definição do quadroonde o código nasce de verdade

    É aqui que se cruza o resultado com idade, menopausa, fraturas anteriores, quedas, medicação em uso e outras doenças. Só depois disso a escolha entre M80 e M81, e entre os subcódigos, faz sentido.

  4. Guia de convênio ou autorizaçãoonde a incoerência aparece

    O convênio cruza o código com o procedimento pedido e com o histórico. Código que não conversa com o resto do pedido volta como pendência, e quase sempre o problema é a escolha entre M80 e M81.

  5. Atestado ou relatório médicoopcional e a pedido

    O paciente pode pedir o atestado sem o código, e o médico deve respeitar. Quando o código entra, ele passa a constar num documento que circula fora do consultório, então vale conversar antes sobre isso.

A resolução do CFM sobre atestados prevê que o diagnóstico só seja registrado com autorização expressa do paciente.

Vale um detalhe sobre a guia: além do CID, ela costuma exigir o código do procedimento, que é outra numeração, a TUSS. São coisas separadas. O CID diz qual é o quadro; a TUSS diz qual exame está sendo pedido. Guia devolvida por “código inválido” muitas vezes está tratando de um sem que ninguém tenha olhado o outro.

O que o código faz e o que ele não faz

O que muda e o que não muda quando o código é escolhido

  • Faz: comunica ao convênio e ao SUS qual quadro justifica o exame ou a medicação
  • Faz: entra no histórico permanente e é lido em perícias e declarações futuras
  • Faz: separa quem já fraturou de quem ainda não fraturou, o que altera prioridade
  • Não faz: não determina sozinho gravidade, nem T-score, nem necessidade de tratar
  • Não faz: não substitui o laudo da densitometria nem a avaliação clínica
  • Não faz: não garante autorização de nada, porque o convênio cruza o código com o restante do pedido

O código é uma etiqueta administrativa. Ele resume, num campo de cinco caracteres, uma decisão que foi tomada olhando exame, história de fratura, idade, medicação em uso e fatores de risco. A decisão vem antes; o código só a registra [fonte].

Por isso um laudo com M81.9 e outro com M80 podem descrever pessoas com o mesmo número na densitometria e condutas completamente diferentes. Quem quiser entender o que está por trás do número pode começar por por que o osso fica mais frágil com o passar dos anos, e depois por as opções de tratamento e como a escolha é feita.

Perguntas frequentes

Qual é o CID da osteoporose?

M81 quando não houve fratura patológica e M80 quando houve. Dentro de M81, o subcódigo mais usado é M81.9, osteoporose não especificada, seguido de M81.0 para a forma pós-menopáusica.

Qual o CID de osteoporose na coluna?

A CID-10 não tem código por região do corpo para a osteoporose sem fratura. Usa-se M81 com o subcódigo da causa. Se houve fratura vertebral por fragilidade, aí sim o código passa para M80, e a vértebra acometida é descrita no laudo, não no código.

Existe CID de osteoporose grave?

Não. A CID-10 não gradua a osteoporose em leve, moderada ou grave. O que existe é a separação entre com e sem fratura. A gravidade aparece no laudo da densitometria e na história clínica, não no código.

Qual o CID 10 da osteoporose pós menopausa?

M81.0 quando não houve fratura patológica e M80.0 quando houve. É o subcódigo mais frequente em mulheres depois da menopausa, porque a queda do estrogênio acelera a perda óssea nos primeiros anos após a última menstruação.

Existe CID de osteoporose no joelho?

Não na categoria M81, que não separa por região. Existe M81.6, osteoporose localizada, usada em situações específicas de perda óssea restrita a um segmento, geralmente após imobilização ou em síndromes dolorosas regionais. Perda óssea vista no joelho por causa da osteoporose generalizada continua sendo M81.

O CID muda se a osteoporose for secundária a outra doença?

Sim, quando a causa é conhecida e tem subcódigo próprio, como M81.4 para a induzida por medicamento. Nos demais casos, registra-se M81 junto com o código da doença de base.

Posso usar o CID de osteoporose só para conseguir autorizar a densitometria?

Não. O pedido de exame de rastreamento tem código próprio no capítulo XXI, como Z13.8. Registrar uma doença ainda não diagnosticada cria um histórico que acompanha a pessoa e pode gerar problema em avaliações futuras.

Se o seu laudo já saiu e você quer entender o que fazer a partir dele, a avaliação médica para osteoporose em Curitiba parte do exame que você já tem em mãos, junto com a história de fraturas e a medicação em uso, para definir se há indicação de tratar e com o quê.

Fontes e referências

  1. CID-10, categoria M80: osteoporose com fratura patológicaArtmed (Classificação Internacional de Doenças, 10ª revisão) · Consulta em 18/08/2026
  2. CID-10, categoria M81: osteoporose sem fratura patológicaArtmed (Classificação Internacional de Doenças, 10ª revisão) · Consulta em 18/08/2026
  3. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas: OsteoporoseMinistério da Saúde (Secretaria de Atenção Especializada à Saúde) · Consulta em 18/08/2026

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