Exame toxicológico positivo: o que acontece e o que fazer
Exame toxicológico positivo: veja o que acontece na CNH e no emprego, como pedir a contraprova, o prazo do recurso e o papel do médico revisor com receita.

Um exame toxicológico positivo assusta, mas nem sempre significa o que parece. O laudo só registra substâncias confirmadas acima do ponto de corte, o condutor tem direito a contraprova, e um médico revisor analisa se existe uso de medicamento prescrito. As consequências mudam conforme o motivo do exame: primeira habilitação, renovação, exame periódico ou emprego. Abaixo, cada situação, com a regra de onde ela vem.
O que significa um exame toxicológico positivo
Significa que o laboratório confirmou, por uma segunda técnica, uma das substâncias do painel acima do limite fixado pelo Contran. A Resolução 923/2022 manda reportar no laudo apenas os positivos da fase confirmatória.[fonte] O resultado, porém, não diz por que a substância estava lá. Quem faz essa leitura é o médico revisor. As substâncias e os cortes estão na lista oficial do que reprova no exame.
Como vem o laudo do exame toxicológico
O laudo do laboratório traz a lista das substâncias testadas, o nível encontrado de cada uma e o resultado, positivo ou negativo. A Resolução Contran 923/2022 manda o laboratório entregar esse laudo ao motorista em até 30 dias da coleta, em papel ou em formato digital, e lançar o resultado no Renach no mesmo prazo, desde que o motorista tenha autorizado por escrito no dia da coleta.[fonte]
Quando o resultado é positivo, passam a existir dois documentos diferentes, e é comum confundir um com o outro.
As principais opções lado a lado
| Laudo do laboratório | Relatório do médico revisor | |
|---|---|---|
| Quem emite | Laboratório credenciado | Médico revisor do laboratório |
| O que diz | Substâncias, níveis e resultado | Se houve uso indevido |
| Quando existe | Em todo exame | Quando dá positivo |
| Considera receita? | Não | Sim, se comprovada |
O relatório do médico revisor informa o tipo e o nível da substância e conclui se houve ou não uso indevido, considerando o uso de medicamento prescrito e comprovado.[fonte] É nesse ponto que a documentação do seu tratamento entra.
Laudo negativo
No laudo negativo, a mesma lista de substâncias aparece com resultado negativo em todas. Para a CNH, o que o Detran confere é o resultado lançado no Renach pelo laboratório, e não o papel que você leva.
Onde consultar o laudo e pedir a segunda via
O laudo sai pelo laboratório que fez o exame, no site ou no aplicativo dele, e a segunda via se pede ao próprio laboratório. Para as categorias C, D e E, a Senatran oferece uma consulta gratuita na Carteira Digital de Trânsito e no portal de serviços, com a data da coleta, o prazo do próximo exame e a lista de laboratórios credenciados.[fonte]
O que acontece na CNH se o exame der positivo
Com um exame toxicológico positivo, a consequência depende do momento em que o exame foi feito. O Código de Trânsito trata cada caso de um jeito.[fonte]
As principais opções lado a lado
| Situação | O que acontece | |
|---|---|---|
| Primeira habilitação A e B | Exame exigido desde 2025 | Processo parado até um resultado negativo |
| Obtenção ou renovação C, D e E | Exame exigido para o documento | Sem documento até um negativo |
| Exame periódico C, D e E | A cada 2,5 anos | Suspensão por 3 meses |
| Dirigir com resultado positivo | Infração gravíssima | Multa; reincidência suspende |
No exame periódico, a suspensão só termina quando um resultado negativo em novo exame entra no Renach, e a lei proíbe outras penalidades acessórias por esse motivo.[fonte]
Exame toxicológico positivo perde a CNH?
Não perde. O exame toxicológico positivo não gera cassação. No exame periódico, a pena é suspensão de 3 meses. Na obtenção e na renovação, o efeito é o documento ficar travado até um novo exame negativo. Quem dirige mesmo assim, com o resultado positivo registrado, comete a infração do art. 165-C do Código de Trânsito.[fonte]
E no emprego, com carteira assinada
Para o motorista profissional contratado pela CLT, o exame é feito na admissão, periodicamente e no desligamento. A Portaria MTE 612/2024 diz que o exame não deve estar vinculado à definição de aptidão do trabalhador para admissão ou demissão.[fonte] O relatório do médico revisor entregue ao empregador informa só se houve uso indevido ou não, sem nível nem tipo de substância.
Diante de um positivo no exame periódico, o empregador deve providenciar avaliação clínica do motorista. Se ela indicar dependência química, a norma manda afastar o empregado e encaminhá-lo à Previdência Social.[fonte] Dúvidas sobre demissão ou justa causa são questões trabalhistas e pedem orientação de um advogado.
Como funciona a contraprova do exame toxicológico
A contraprova é a análise da segunda amostra, colhida no mesmo dia e guardada pelo laboratório por no mínimo cinco anos. O condutor pede formalmente ao laboratório, que é o mesmo da primeira análise, e assina um termo sabendo que depois disso não restará material para nova checagem.[fonte]
A contraprova faz sentido quando há dúvida real sobre o resultado, como troca de amostra ou falha de custódia. Quando a substância veio de um remédio que você usa, a contraprova tende a repetir o resultado, e o caminho útil é outro: o médico revisor.
O recurso no Detran
A lei garante contraprova e recurso administrativo, mas sem efeito suspensivo.[fonte] Na prática, a penalidade corre enquanto o recurso é julgado. Prazos e formulários são os do Detran do seu estado.
Se o positivo tem relação com um tratamento, a conversa com o médico precisa acontecer antes do próximo exame. Fale com a equipe da Clínica Renasce pelo WhatsApp.
Positivo com receita: o papel do médico revisor
Quando o exame toxicológico positivo vem de um remédio prescrito, entra em cena o médico revisor, que todo laboratório credenciado precisa ter. Pela Resolução Contran 923/2022, ele interpreta o laudo e conclui se houve ou não uso indevido de substância psicoativa, considerando os níveis encontrados e “o uso de medicamento prescrito, devidamente comprovado”.[fonte] A Senatran orienta apresentar no posto de coleta o documento médico que comprova a prescrição.[fonte]
A palavra que pesa é “comprovado”. Receita e relatório com data anterior à coleta mostram um tratamento que já existia. Documento emitido depois do resultado tem outro peso, e nenhum médico sério prescreve para justificar um exame: prescrição exige indicação clínica. Os remédios que mais geram esse cenário estão em quais medicamentos interferem no exame toxicológico, e o caso da cannabis em o que o exame da CNH detecta no canabidiol.
Se o seu exame deu positivo
Leia o laudo1
Veja qual substância foi confirmada.
Compare com o que você usa2
Algum remédio seu vira essa molécula no organismo?
Fale com o laboratório3
Pergunte como enviar a prescrição ao médico revisor.
Decida sobre a contraprova4
Útil se houver dúvida sobre a amostra.
Acompanhe o prazo do Detran5
O recurso não suspende a penalidade.
Deu positivo: o que fazer em cada situação
O caminho depende de uma pergunta: existia tratamento com prescrição antes da coleta?
Se você já tratava antes da coleta. Reúna tudo o que tem data anterior ao exame: receita, relatório médico, autorização da Anvisa quando o produto é importado e comprovante de compra. Pergunte ao laboratório como fazer esses documentos chegarem ao médico revisor. Se o relatório não existe ou não descreve o produto, a dose e o início do uso, o médico que acompanha você pode documentar o tratamento que já existia, sem mudar datas. É o que fazemos na consulta para o laudo médico do exame toxicológico.
Se não havia prescrição. Nenhum documento feito agora muda o resultado, e pedir receita com data antiga é pedir uma fraude. O caminho é o recurso no Detran, se houver fundamento, e o novo exame quando o prazo permitir. Se você pretende começar um tratamento, comece pela avaliação e deixe o próximo exame para quando a documentação já cobrir a janela de 90 dias.
Se o exame foi da empresa. O resultado vai para o empregador só como conclusão, e a norma prevê avaliação clínica do motorista diante de um positivo no exame periódico.[fonte] Leve a mesma documentação ao médico do trabalho.
Em qualquer caso. Não dirija enquanto a situação não se resolve, guarde o laudo e anote as datas: coleta, resultado e notificação do Detran. São elas que contam no recurso e no novo exame.
O que não fazer
Não compre produto que promete “limpar” o organismo ou o cabelo: não há base científica, e alterar a amostra pode trazer problemas maiores. Não interrompa um remédio por conta própria para o próximo exame. E não tente conseguir receita depois do resultado: o médico revisor olha a data.
Quando refazer o exame
A lei não fixa um prazo mínimo. Os Detrans que se manifestaram costumam orientar esperar cerca de 90 dias, tempo que corresponde à janela de detecção mínima do exame de cabelo.[fonte] Confirme a regra no Detran do seu estado antes de agendar.
O que você leva pra casa
Para organizar a resposta ao positivo
- Guardar o laudo e anotar a substância confirmada
- Separar receitas e relatórios com data anterior à coleta
- Perguntar ao laboratório o canal do médico revisor
- Avaliar a contraprova só se houver dúvida sobre a amostra
- Não dirigir com o resultado positivo registrado
- Conversar com o médico antes de refazer o exame
Orientação geral. Questões de recurso e trabalho pedem profissional da área.
Perguntas frequentes
O que acontece se o exame toxicológico der positivo na renovação?
Nas categorias C, D e E, a renovação fica travada até um novo exame negativo. Nas categorias A e B, a renovação não exige o exame.
O laudo de exame toxicológico positivo mostra a substância?
Sim. O laudo laboratorial lista as substâncias testadas, o nível de cada uma e o resultado. O relatório que vai ao empregador, no caso da CLT, informa só a conclusão.
A contraprova pode dar resultado diferente?
Pode, se houve problema com a primeira amostra. Se a substância estava de fato no cabelo, o esperado é o mesmo resultado.
Exame toxicológico positivo dá justa causa?
A norma trabalhista diz que o exame não deve definir a aptidão para demissão e prevê avaliação clínica diante de positivo no periódico. Casos concretos precisam de orientação jurídica.
Tenho receita. Por que deu positivo?
Porque o laboratório mede a molécula, não o motivo. A receita não muda o laudo, mas permite que o médico revisor conclua que não houve uso indevido.
Organize o tratamento antes do próximo exame
Um exame toxicológico positivo ligado a tratamento se resolve com documentação, não com improviso. Se você usa ou pretende usar cannabis medicinal, a avaliação em terapia canabinoide na Renasce começa pela indicação clínica e inclui receita e relatório com data anterior à coleta. Se o exame é da primeira CNH, veja as regras do exame toxicológico na primeira habilitação.
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Fontes e referências
- Código de Trânsito Brasileiro (Lei nº 9.503/1997), texto compiladoPresidência da República · Consulta em 23/09/2026
- Resolução Contran nº 923, de 28 de março de 2022Conselho Nacional de Trânsito (Contran) · Consulta em 23/09/2026
- Perguntas frequentes sobre o exame toxicológicoSecretaria Nacional de Trânsito (Senatran) · Consulta em 23/09/2026
- Consultar informações sobre exames toxicológicosSecretaria Nacional de Trânsito (Senatran) · Consulta em 24/09/2026
- Portaria MTE nº 612, de 25 de abril de 2024Ministério do Trabalho e Emprego · Consulta em 23/09/2026
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