Reposição hormonal

T-score e Z-score: como ler o resultado da densitometria

T-score e Z-score explicados: o que cada um compara, a tabela dos cortes, por que coluna e fêmur dão números diferentes e quando o Z-score manda mais que o T-score.

Capa ilustrativa de T-score e Z-score com laudo de densitometria e lupa, tema T-score e Z-score.

O laudo da densitometria costuma trazer três números por sítio medido, e o que a maioria das pessoas procura no papel é um só: o T-score. Ele é o valor que define a classificação e o que costuma aparecer negativo, com uma vírgula, num campo pequeno no meio da tabela.

Este texto explica o que ele compara, onde ficam os cortes e por que o Z-score, que quase ninguém olha, às vezes é o número que realmente importa.

O que cada um compara

Os dois são desvios-padrão, ou seja, medidas de distância em relação a uma média. O que muda é a média escolhida.

T-score compara você com um adulto jovem saudável, do mesmo sexo, no auge da massa óssea, por volta dos 30 anos. Ele responde: quanto o seu osso se afastou do melhor que ele já foi.

Z-score compara você com pessoas da sua idade, mesmo sexo e, quando o aparelho permite, mesma etnia. Ele responde outra coisa: o seu osso está no esperado para quem tem os seus anos.

Um exemplo deixa claro por que os dois convivem. Uma mulher de 75 anos pode ter T-score bem negativo e Z-score próximo de zero. O T-score negativo diz que ela perdeu bastante osso desde os 30. O Z-score em zero diz que ela perdeu tanto quanto as colegas de idade. As duas informações são verdadeiras e servem para coisas diferentes: a primeira estima risco de fratura, a segunda pergunta se há algo além do envelhecimento acontecendo ali.

Valor negativo é o normal depois de certa idade. Ver um sinal de menos no laudo não é, por si só, má notícia.

A tabela dos cortes

Os cortes vêm de uma convenção da Organização Mundial da Saúde, definida para padronizar diagnóstico e estudo, e são aplicados ao T-score [fonte].

Onde o seu T-score cai e o que aquela faixa significa

Faixa do T-scoreClassificaçãoLeitura prática
Até -1,0Dentro do esperadoAcompanhar e prevenir
Entre -1,1 e -2,4OsteopeniaDepende do risco total
-2,5 ou menorOsteoporoseTratamento na mesa
-2,5 com fraturaOsteoporose estabelecidaPrioridade alta

Critério da Organização Mundial da Saúde, aplicado ao T-score de coluna lombar, colo do fêmur ou fêmur total.

Vale conferir onde o seu número cai. Um T-score de -1,6 ou de -2,2, por exemplo, está na faixa intermediária, e é ali que vive a maior parte dos laudos. Um de -2,8 já cruzou o limite. E um de -0,4 está dentro do esperado, mesmo sendo negativo.

O detalhe que a tabela sozinha não conta: a faixa intermediária não decide nada por si só. Duas pessoas com o mesmo -1,8 podem ter condutas opostas se uma delas já fraturou o punho numa queda simples e a outra nunca fraturou nada. O nome dessa faixa e o que muda a partir dela estão em osteopenia densitométrica.

Por que coluna e fêmur dão números diferentes

Quase todo laudo traz pelo menos dois T-scores, e é comum que eles não batam. Isso é esperado, não é erro do exame.

Coluna lombar é rica em osso trabecular, aquele de estrutura esponjosa, com muita superfície e alta rotatividade. Ele perde primeiro e responde primeiro ao tratamento. Fêmur tem proporção maior de osso cortical, mais compacto e mais lento nos dois sentidos.

Então, no começo da perda, a coluna costuma acusar antes. Já em pessoas mais velhas o padrão frequentemente se inverte, e por um motivo que engana: a artrose da coluna deposita cálcio em lugares que não são osso vertebral saudável, e o aparelho conta esse cálcio. O T-score da coluna sai melhor do que a realidade, e o do fêmur passa a ser o mais confiável.

A regra de conduta é: usa-se o pior sítio válido. Válido é a palavra que importa, porque um sítio contaminado por artrose, escoliose, fratura antiga ou prótese é excluído da decisão, não usado só por ter dado um número melhor.

Quando o Z-score manda mais

Existe um grupo em que o T-score não deve ser usado para diagnosticar, e isso é frequentemente ignorado: mulheres antes da menopausa, homens com menos de 50 anos e crianças e adolescentes.

Nesses casos, comparar com o pico de um adulto jovem não faz sentido, porque a pessoa ou ainda está construindo osso ou não teve tempo de perder por envelhecimento [fonte]. O número que vale é o Z-score, e o laudo desses pacientes não deveria trazer a palavra osteoporose baseada apenas no T-score.

O corte prático é Z-score de -2,0 ou menor, descrito como massa óssea abaixo do esperado para a idade [fonte]. Esse achado não fecha diagnóstico, mas acende um alerta específico: quando alguém jovem tem osso claramente pior que os pares, há grande chance de existir uma causa por trás. Deficiência de vitamina D, doença celíaca, hipertireoidismo, uso de corticoide, hipogonadismo e doença renal entram nessa lista, e a investigação passa por exames de sangue.

O que o laudo diz e o que ele não decide

Do número no papel até a decisão

  1. O aparelho mede a DMOg/cm²

    Valor bruto de mineral por área. É a única coisa que o equipamento realmente mede; todo o resto é comparação.

  2. O software converte em T e Zdesvios-padrão

    A conversão usa uma base de referência interna do fabricante. Bases diferentes geram números diferentes para o mesmo osso.

  3. A classificação sai do T-scorecritério da OMS

    Dentro do esperado, faixa intermediária ou osteoporose. É rótulo estatístico, não sentença sobre o que vai acontecer com você.

  4. O risco entra na contaaqui muda tudo

    Idade, fraturas anteriores, fratura de quadril nos pais, corticoide, tabagismo, álcool, artrite reumatoide e peso pesam junto com o número.

  5. A conduta é decidida na consultanão no laudo

    Tratar, observar, corrigir causa reversível ou repetir depois de um intervalo. O mesmo T-score leva a caminhos diferentes conforme o restante do quadro.

Laudo de densitometria classifica. Quem decide conduta é a avaliação clínica que lê o laudo junto com a história.

Comparar duas densitometrias

Aqui mora a pegadinha mais comum do acompanhamento. Uma diferença pequena entre dois exames pode não ser diferença nenhuma.

Todo aparelho tem uma margem de erro na repetição, e só variações acima dessa margem contam como mudança real. Na prática, isso significa que diferenças de poucos centésimos no T-score entre um ano e outro costumam ser ruído.

Pior: exames feitos em aparelhos de fabricantes diferentes não são comparáveis diretamente. Cada marca tem calibração e base de referência próprias. Trocar de serviço entre um exame e outro pode produzir uma variação inteira que não tem nada a ver com o seu osso. Sempre que possível, repita no mesmo lugar e leve o exame anterior.

Quando o número piora de verdade, o próximo passo não é assumir que o tratamento falhou. Vale antes checar adesão, absorção, vitamina D e causas secundárias. E quando ele cruza um limite que muda o quadro, o assunto passa a ser quando a perda óssea passa a preocupar de fato.

Perguntas frequentes

O que significa T-score negativo?

Que a sua densidade está abaixo da média do adulto jovem. Até -1,0 isso é considerado dentro do esperado. O sinal de menos sozinho não indica doença.

Qual T-score indica osteoporose?

-2,5 ou menor, em coluna lombar, colo do fêmur ou fêmur total. Quando existe também fratura por fragilidade, o quadro é descrito como osteoporose estabelecida.

O que significa T-score e Z-score na densitometria óssea?

T-score compara seu osso com o de um adulto jovem no pico de massa óssea. Z-score compara com pessoas da sua própria idade e sexo. O primeiro classifica o diagnóstico em adultos após a menopausa e em homens acima de 50 anos; o segundo é o que vale abaixo dessas faixas.

Meu T-score da coluna e do fêmur deram diferentes. Qual vale?

O pior entre os sítios válidos. Se um deles está comprometido por artrose, escoliose, fratura antiga ou prótese, ele é desconsiderado e o outro manda.

T-score melhorou pouco depois de um ano de tratamento. Isso é ruim?

Não necessariamente. Estabilizar já é resultado, porque a evolução natural sem tratamento seria continuar perdendo. Além disso, ganhos pequenos podem estar dentro da margem de erro do aparelho, e o objetivo do tratamento é reduzir fratura, não o número em si.

Se você está com o laudo aberto e quer saber o que aqueles números pedem no seu caso, a consulta para tratar osteoporose em Curitiba parte do exame junto com a sua história de quedas, fraturas e medicamentos. Para entender como o exame que gerou esses números é feito, veja Densitometria óssea: para que serve e como é feito o exame.

Fontes e referências

  1. Assessment of fracture risk and its application to screening for postmenopausal osteoporosisOrganização Mundial da Saúde (WHO Technical Report Series 843) · Consulta em 18/08/2026
  2. Official Positions: AdultInternational Society for Clinical Densitometry · Consulta em 18/08/2026

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