Densitometria óssea: para que serve, como é feito e o que o resultado mostra
Densitometria óssea: para que serve, como é feito o exame passo a passo, qual o preparo, por que mede coluna e fêmur e o que o resultado mostra e o que não mostra.

A densitometria óssea é o exame que mede a quantidade de mineral dentro do osso e transforma isso num número comparável. É esse número que separa osso dentro do esperado, osso em faixa intermediária e osteoporose.
O nome técnico é DXA, sigla em inglês para absorciometria de raios X de dupla energia. Duas energias diferentes atravessam a região examinada, e o aparelho calcula quanto de cada uma foi absorvida. A diferença entre as duas leituras isola o que é osso do que é tecido mole.
Para que serve o exame
A densitometria responde a três perguntas distintas, e vale saber qual delas motivou o seu pedido.
A primeira é diagnosticar. Perda óssea não dói e não aparece em exame de sangue de rotina. Sem medir, a doença fica invisível até o dia em que um osso quebra por um trauma pequeno.
A segunda é estimar risco de fratura. O número entra em calculadoras de risco junto com idade, peso, história familiar, tabagismo e uso de corticoide. É essa conta, não o número sozinho, que costuma decidir se há indicação de tratar.
A terceira é acompanhar. Repetido depois de um intervalo, o exame mostra se a perda estacionou, se continua ou se houve ganho com o tratamento.
Como é feito, passo a passo
O exame de densitometria óssea do começo ao fim
Você chega vestido e continua vestidosem jejum
Não há necessidade de jejum. Roupa comum serve, desde que sem metal na região examinada: zíper, botão, fivela, colchete de sutiã, moeda no bolso. Alguns serviços pedem avental justamente para evitar isso.
Você deita numa mesa acolchoadade barriga para cima
Nada encosta na sua pele além da mesa. Não entra agulha, não entra contraste, não há tubo fechado em volta do corpo, o que costuma ser a maior surpresa de quem esperava algo parecido com ressonância.
As pernas são posicionadas num apoiopara a coluna
Um suporte macio eleva as pernas e retifica a lombar, o que separa melhor as vértebras na imagem. Para o fêmur, o pé é preso num apoio que roda a perna levemente para dentro.
Um braço passa devagar sobre vocêsem tocar
O braço do aparelho desliza acima do corpo enquanto a mesa se movimenta. Não há barulho alto nem sensação nenhuma. O pedido é apenas ficar imóvel e, em alguns momentos, prender a respiração.
Termina em poucos minutos10 a 20 minutos no total
A varredura de cada sítio leva por volta de um a dois minutos. O tempo restante é posicionamento. Você levanta e vai embora sem restrição nenhuma, podendo dirigir e trabalhar normalmente.
A dose de radiação de uma densitometria de coluna e fêmur é uma fração pequena da dose de uma radiografia de tórax.
O preparo que quase ninguém explica
O preparo é curto, mas tem um item que costuma ser omitido e é justamente o que mais estraga exame.
Suplemento de cálcio deve ser suspenso, em geral, nas 24 a 48 horas anteriores. O motivo é mecânico: comprimido de cálcio ainda no intestino aparece na imagem sobreposto à coluna e é lido pelo aparelho como se fosse osso. O resultado sai artificialmente melhor do que a realidade.
Os outros dois itens têm a mesma lógica de contaminação da imagem. Exame com contraste iodado ou de bário feito nos dias anteriores deixa resíduo que interfere. Cintilografia óssea recente também, porque o material radioativo ainda presente confunde a leitura.
Fora isso, não há restrição: pode comer, pode beber, pode tomar os medicamentos de uso contínuo normalmente. E vale levar o exame anterior, se existir, porque comparação é boa parte do valor da densitometria.
Coluna, fêmur ou corpo inteiro
Os sítios medidos e o que cada um serve para responder
| Sítio | O que mede melhor | Limitação |
|---|---|---|
| Coluna lombar | Resposta rápida | Artrose distorce |
| Fêmur proximal | Risco de fratura | Muda devagar |
| Antebraço | Alternativa de resgate | Só em casos específicos |
| Corpo inteiro | Composição corporal | Não diagnostica |
A densitometria de corpo inteiro mede gordura e massa magra e não substitui a de coluna e fêmur para diagnóstico.
O padrão é medir dois sítios, coluna e fêmur, e não é redundância [fonte]. Coluna é rica em osso trabecular, aquele com estrutura de esponja, que responde mais rápido a mudanças. Fêmur tem mais osso cortical, mais denso, e prevê melhor a fratura de quadril, que é a de maior consequência.
Quando um dos dois não é confiável, entra o outro. Artrose avançada, escoliose importante, fratura vertebral já consolidada ou material de cirurgia podem inflar falsamente o número da coluna. Nesses casos, o fêmur manda.
Quem deve fazer e de quanto em quanto tempo
A densitometria não é exame de rotina para todo mundo em qualquer idade. Ela é indicada quando existe probabilidade razoável de o resultado mudar alguma decisão.
O corte etário mais usado é a partir dos 65 anos para mulheres e dos 70 para homens, mesmo sem queixa nenhuma [fonte]. Antes disso, o exame entra quando há fator de risco que antecipe a perda: menopausa antes dos 45 anos, retirada dos ovários, uso de corticoide por mais de três meses, fratura por queda da própria altura em qualquer idade adulta, história de fratura de quadril em pai ou mãe, índice de massa corporal baixo, tabagismo ativo, consumo alto de álcool, artrite reumatoide, doença celíaca, cirurgia bariátrica, hipertireoidismo mal controlado e uso de bloqueadores hormonais em tratamento oncológico.
O intervalo de repetição depende do que se está esperando ver. Quando o primeiro exame vem bem e não há fator de risco novo, o retorno costuma ser em cinco anos. Quando o resultado fica em faixa intermediária, o intervalo encurta para um a dois anos, porque a decisão de tratar ou observar pode mudar. Em quem já iniciou medicação, o padrão é reavaliar depois de um a dois anos, tempo suficiente para que uma diferença real apareça acima da margem de erro do aparelho.
Repetir antes disso raramente ajuda. A variação natural entre duas medições próximas costuma ser maior que a mudança verdadeira do osso nesse intervalo, e o resultado gera mais dúvida que informação.
O que pode atrapalhar a leitura
Alguns fatores não impedem o exame, mas alteram o número o suficiente para mudar a interpretação, e por isso precisam constar no laudo.
Na coluna, o principal é a artrose. Bicos de papagaio e calcificação dos ligamentos são cálcio depositado fora do lugar, e o aparelho os conta como osso. É por isso que idosos com coluna muito artrósica às vezes têm T-score de coluna melhor que o de fêmur, quando o esperado seria o contrário. Escoliose importante, fratura vertebral consolidada e material cirúrgico produzem o mesmo efeito de inflar o resultado, e nesses casos as vértebras afetadas são excluídas do cálculo.
No fêmur, prótese de quadril elimina o lado operado da medição. Sobra o outro, e se ambos estiverem operados, o antebraço vira a alternativa.
Há ainda um ponto que só aparece na comparação: densitometrias feitas em aparelhos de fabricantes diferentes não são diretamente comparáveis. Cada equipamento tem sua calibração e sua base de referência. Se você mudou de serviço entre um exame e outro, avise, porque a diferença entre os dois números pode ser do aparelho e não do seu osso [fonte].
Como conseguir o pedido
O exame precisa de solicitação médica, e qualquer médico pode pedir. Não é necessário passar por uma especialidade específica para obter o encaminhamento.
No SUS, o caminho é a unidade básica de saúde, que avalia a indicação e encaminha conforme o protocolo local e a disponibilidade da região. Nos planos de saúde, a densitometria costuma estar no rol de cobertura obrigatória quando há indicação registrada, e a autorização depende de o código do quadro conversar com o procedimento pedido.
O que aparece no laudo
O laudo traz a DMO em gramas por centímetro quadrado, depois o T-score, depois o Z-score, e às vezes um terceiro valor chamado TBS.
T-score compara seu osso com o de um adulto jovem saudável, e é ele que define a classificação diagnóstica. Z-score compara com pessoas da sua idade e sexo, e é o que importa em quem ainda não chegou à menopausa e em homens mais jovens. TBS, ou trabecular bone score, é uma análise da textura da imagem que estima a qualidade da arquitetura interna, não só a quantidade de mineral.
Cada faixa desses números e o que ela decide estão detalhados em T-score e Z-score: como ler o resultado da densitometria. Quando o laudo cai na faixa intermediária, o nome que aparece é osteopenia identificada pela densitometria.
O que a densitometria não detecta
O que o exame responde e o que ele não responde
O que ele mostra
- Quantidade de mineral
- Em cada sítio medido, com valor numérico comparável.
- Classificação diagnóstica
- Osso dentro do esperado, faixa intermediária ou osteoporose.
- Evolução
- Comparação com exames anteriores feitos no mesmo aparelho.
- Fratura vertebral
- Em aparelhos com o módulo de avaliação de coluna em perfil.
O que ele não mostra
- Câncer
- Não é exame de rastreamento oncológico e não detecta tumor ósseo.
- Causa da perda
- Diz que existe, não diz por quê. Isso vem do sangue e da história.
- Dor
- Não explica dor nas costas nem no quadril por si só.
- Certeza de fratura
- Estima risco. Osso bom não garante que não vai quebrar.
Vale insistir no primeiro item da coluna da direita, porque é uma dúvida frequente. A densitometria não é exame de câncer. Ela usa raios X em dose muito baixa e é calibrada para medir mineral, não para procurar lesões. A confusão costuma vir da cintilografia óssea, que é outro exame, com outra finalidade, e esse sim é usado na investigação de metástase.
Da mesma forma, mamografia e densitometria não se substituem, mesmo quando marcadas no mesmo dia e no mesmo lugar.
O código do exame no pedido
Duas numerações diferentes aparecem na guia e são frequentemente confundidas. O CID descreve o quadro do paciente. A TUSS identifica o procedimento pedido, e tem códigos distintos conforme sejam um, dois ou mais segmentos, ou corpo inteiro.
Quando o exame é de rastreamento e ainda não existe diagnóstico, o CID correto não é o da osteoporose. Explicamos qual entra em cada situação em CID da osteoporose: qual código usar em cada situação.
Perguntas frequentes
Quem deve fazer densitometria óssea e com que frequência?
Em linhas gerais, mulheres a partir dos 65 anos e homens a partir dos 70, e mais cedo quando existe fator de risco: menopausa precoce, fratura por trauma pequeno, uso prolongado de corticoide, história familiar de fratura de quadril, baixo peso, tabagismo. O intervalo de repetição costuma variar de um a cinco anos, conforme o resultado e o tratamento em curso.
Densitometria óssea dói ou precisa de jejum?
Não dói e não precisa de jejum. Nada toca o corpo além da mesa. O único preparo relevante é suspender suplemento de cálcio nos dias anteriores e não ter feito exame com contraste ou cintilografia recentemente.
Quanto tempo demora o exame?
De dez a vinte minutos no total, sendo a maior parte disso posicionamento. Cada sítio é varrido em um ou dois minutos.
Que roupa usar para fazer densitometria óssea?
Roupa confortável e sem metal na região do tronco e do quadril. Evite peças com zíper, botão metálico, fivela e colchete. Brincos e correntes não interferem quando o exame é de coluna e fêmur, mas muitos serviços pedem que sejam retirados por rotina.
Densitometria de corpo inteiro serve para diagnosticar osteoporose?
Não é o exame indicado para isso. Ela mede composição corporal, ou seja, quanto do peso é gordura e quanto é massa magra. O diagnóstico se faz nos sítios de coluna e fêmur.
Com o laudo em mãos, o passo seguinte é interpretar o número dentro do seu contexto de idade, fraturas e medicações. A o acompanhamento de quem tem osteoporose em Curitiba parte exatamente desse ponto para definir se há indicação de tratar.
Fontes e referências
- Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas: OsteoporoseMinistério da Saúde (Secretaria de Atenção Especializada à Saúde) · Consulta em 18/08/2026
- Official Positions: AdultInternational Society for Clinical Densitometry · Consulta em 18/08/2026
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